IV Inatel Piódão Ultra Trail - EMdurance Runner
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IV Inatel Piódão Ultra Trail

Conhecem aquela expressão “Nadar, nadar, e ir morrer na praia”? Pois, eu no dia 2 de Abril corri, corri, e morri em Piódão.
Foi nesta prova, no Inatel Piódão Ultra Trail, que me tornei ultramaratonista. Uma prova que me levou 10horas e 24 minutos da minha vida, mas que me trouxe ensinamentos que me servirão para o resto  desta mesma vida. Por isto, voltar lá era inevitável. Era, aliás, uma decisão que tomei assim que a terminei da primeira vez.
Mas este ano havia algo de diferente, algo maior que Piódão a acontecer: o MIUT. E Piódão acabava por surgir no momento ideal para um último treino longo de preparação para a Madeira. Mas com uma condicionante: a prova era para ser feita a ritmo de treino e não de competição. Afinal de contas, a prioridade das prioridades eram (e são) os 115kms que ligam Porto Moniz a Machico. Mas eu queria fazer melhor que o ano passado, queria vingar-me da Fórnea, contemplar as eólicas a alta velocidade e acabar a prova ainda de dia, se possível, antes das 17h da tarde.
A saída de Lisboa foi às 4:30, com pequeno almoço tomado, e com uma bucha preparada para comer 1h antes da corrida (uma sandes de fiambre e um batido de proteína). A chegada foi quase às 8h, o que me permitiu ver o sol a nascer por detrás dos montes e serras, transformando o céu num laranja vibrante que nos deixa com um enorme sorriso na cara e vontade de subir trilhos até o atingir. Dorsal levantado e voltar ao carro para equipar.
A caminho da meta, o encontro com caras conhecidas, de outros trails, de outras provas, de outros treinos… Encontrar o Mister José Carlos Santos e ouvir os seus conselhos de última hora. Na zona da partida encontrei o Filipe Torres, companheiro de grandes treinos e companheiro (pelo menos na partida) do MIUT. A partida foi dada alguns minutos depois das 8h, e contornámos o hotel até entrarmos nos trilhos.
Sobre a prova em si, podem ler o que escrevi no ano passado ou a crónica do Filipe que tem mais jeito para descrever os tracks que eu. Vou falar da forma como ataquei a prova durante as suas várias fases, mas de forma resumida: corri sempre em plano, nas longas subidas em ziguezague fui a trote até ter de começar a andar, não me deixei intimidar pela subida da Fórnea, fazendo-a em metade do tempo do ano passado, atacando bem as descidas, parando menos tempo nos abastecimentos e, muito importante, fazendo uma nutrição em prova quase perfeita, seguindo à risca as indicações daquilo que terei de fazer na Madeira.
Foi uma prova totalmente diferente da anterior. As sensações durante a prova deixaram de ser a de superação por estar a correr há tanto tempo, para serem de estar a correr tanto em tão pouco tempo. Diz-se que a prova só começa na subida da Fórnea, e não deixa de ser verdade. Aqueles 1200m, num constante subir técnico de declive bastante acentuado, rebentam com as pernas de qualquer um e transformam qualquer sorriso que se traga num esgar de dor e tristeza. O ano passado quando lá cheguei já ia desgastado e subi-la foi um verdadeiro martírio; desta vez, mantive um ritmo constante, com passos pequenos e com os bastões a ajudar, e, quando dei por mim, estava vencida.
Mas então, se tudo correu tão bem, por que é que disse aquilo do ‘morrer na praia’ no inicio do post? Porque como disse, em termos de nutrição fiz um trabalho quase perfeito. Se na ingestão de hidratos fiz o suficiente, na ingestão de sais e sódio já nem por isso. O ideal seria tomar cerca de 300mg de sódio de hora a hora. Infelizmente só tinha 3 cápsulas comigo, por isso, tomei-as num intervalo a rondar as 2 horas. E isto, parecendo que não, teve repercussões na parte final da prova. A cabeça queria ir mais rápido, o peito conseguia aguentar o esforço, mas as pernas já tinham dificuldades em manter o ritmo que empreguei durante 90% da prova. Do último abastecimento até à meta eram cerca de 3kms, com pouco declive mas quase sempre a subir. E, por muito que tentasse, não conseguia correr o suficiente para o que precisava. Olhava para o relógio, olhava para o hotel e, percebia a cada passo que dava, que ia falhar o grande objetivo das 8h. Quando cruzei a meta, o relógio marcava 8h04m.
Morri na praia, fiquei a escassos minutos de conseguir o tempo que tanto ambicionava, mas, no entanto, retirei 2horas e 20minutos ao meu tempo anterior. Melhor ainda, foi um ótimo treino para a Madeira, que me permitiu ver o quanto evoluí, o efeito do treino, entrar no ritmo competitivo e ter uma enorme vitória anímica para o MIUT.
Sobre a organização, o que já estamos habituados: bons voluntários, bons abastecimentos, boa sinalização e bom ambiente. O ponto negativo é mesmo o prémio finisher. Se o ano passado nos deram um íman para o frigorífico enorme a representar uma casa de xisto, tão típica da região, este ano deram-nos uma colher de pau com um autocolante da prova. Enfim, a malta também não vai lá pelo prémio, mas pelos trilhos. Os prémios são outros e sempre pessoais.
Não sei se para o ano lá volto, é uma prova que me está marcada e pela qual sinto um grande carinho, mas terei de ver como estão os meus objetivos nessa ocasião. De qualquer forma, Piódão, esta não foi a última vez que nos encontrámos. Até um dia.

 

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