2º Trail Fluviário de Mora - Report - EMdurance Runner
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2º Trail Fluviário de Mora – Report

O 1º Trail Fluviário de Mora foi a minha primeira prova em trilhos. Foi aqui que descobri um novo mundo. Por isso, foi com bastante agrado que me inscrevi nesta prova que acontece na terra que me viu crescer. Ao contrário da primeira vez, em que não tinha qualquer tipo de equipamento adequado à prática do ‘trail running’, desta vez já me apresentei à linha de partida com o essencial. Infelizmente, ao contrário do 1º Trail, em que tudo correu muito bem, este 2º Trail ficou marcado por falhas graves a nivel da organização e da marcação dos percursos, tanto do longo (40kms) como do curto (15kms). Por muito que me custe dizer isto, esta prova foi um grande fiasco.
O Trail Longo:
O percurso longo tinha a distância anunciada de 40kms e um acumulado positivo de 800m, feitos, na sua maioria em estradão e terrenos agrícolas. Como se percebe, não é um trail dificil, tendo uma classificação de dificuldade 1. A verdade é que não se consegue inventar muito mais que isto porque a zona é muito plana. O que me leva a falar do primeiro erro. O trail longo do ano passado tinha 30kms, o que é uma distância simpática. Este ano acrescentou mais 10kms. Parecendo que não, seja em estrada ou em trilhos, 10kms fazem diferença e leva a que algumas pessoas não se inscrevam para esta distância. Ao mesmo tempo, não é uma prova que seja desafiante o suficiente porque apresenta um D+ muito reduzido para a distância, o que afasta quem procura nestas provas uma oportunidade para ‘treinar’ para desafios maiores. Penso que, numa próxima edição, tendo em conta a altimetria, o trail longo devia ser reduzido para os 30kms. Estavam inscritas 37 pessoas, estavam 30 na linha de partida e todas cruzaram a meta.
O Trail Curto:
O percurso curto tinha uma distância anunciada de 15km e não foi disponibilizado acumulado positivo, novamente, feitos maioritariamente em estradão e terrenos agrícolas. Aqui, ao contrário do percurso longo, a distância de 15kms revela-se adequada para as características da zona. Sendo uma distância acessivel a muita gente, o número de inscritos chegou aos 141. Quantos estavam na linha de partida e chegaram, são dados que já não disponho.
Os abastecimentos:
Com 4 abastecimentos a cumprirem os requisitos mínimos (água, cola, banana e tomate), a prova teve a quantidade adequada de apoio numa prova que é de semi auto suficiência. Colocados nos kms certos, a única coisa que tenho a apontar é que o  abastecimento a meio da prova podia ser um pouco mais composto. Umas batatas fritas, umas bolachas, uns salgados ou mesmo um isotónico, são coisas que se arranjam facilmente e quem está a correr agradece. O trail curto teve 2 abastecimentos e, não o tendo feito, acredito que fossem idênticos aos do longo.
As marcações:
Este foi o principal problema desta edição. As marcações foram insuficientes, mal colocadas ou mesmo inexistentes, o que levou a que o trail longo tenha ficado com 35kms em vez dos 40kms, e que o trail curto tenha ficado com distâncias que variaram entre os 15km e os quase 30kms. No trail longo, a falta de fitas ou qualquer outra sinalização, pouco depois do km 1, fez com que passássemos diretamente para o km 8. Isto aconteceu a todos os atletas porque nesta fase ainda se ia em pelotão e seguimos sempre quem ia à nossa frente, pensando que iam bem. A partir daqui, seguir o percurso fora dos estradões revelou-se uma tarefa muito inglória. Em zonas sem estradas ou trilhos, autênticos campos agrícolas onde manadas de vacas pastavam, as fitas eram colocadas com um espaçamento que chegava a ter mais de 100m, e um pouco aleatória, fazendo-nos correr em ziguezague quando percebíamos que a direção era para outro lado. E ter fitas cor de laranja presas nos ramos interiores das árvores dificultou ainda mais perceber onde estavam. Muitas foram as vezes em que tínhamos de apelar à boa visão de outro atleta para ver uma fita a 300m de distância! E mesmo nos estradões, que são constantemente cruzados com outras estradas, ou cercas ou portões abertos, uma fita de 100m em 100m é insuficiente. Ainda para mais quando entre duas fitas há uma curva ou uma lomba que nos corta a visão.
No trail curto isto foi ainda pior. A aliar à fraca e parca marcação, o percurso cruzava-se entre si e com o do trail longo. Isto fez com que alguns tivessem feito o percurso certo, outros tivessem entrado na segunda metade em sentido contrário e outros ainda tenham entrado no percurso do trail longo, sendo depois encaminhados para a meta.
Outra coisa que não ajudou em nada, foi o facto de ambos os percursos estarem marcados com fitas da mesma cor, impossibilitando quem quer que seja de perceber o engano assim que este acontece.
Os voluntários:
Espera-se um pouco mais das pessoas que, supostamente, se voluntariam para ajudar durante o percurso ou nos abastecimentos. Espera-se, acima de tudo, que estejam nos locais onde deveriam estar e com as informações necessárias para fornecer aos atletas. Não se justifica que sempre que perguntava em que km era suposto estar, ninguém me soubesse dar uma resposta. Assim que vi que as marcações estavam uma desgraça, fui tentando perceber o km onde estava sempre que passava algum voluntário. Um pouco de cortesia também fica bem. 90% dos ‘Bom dia’ que disse, ficaram sem resposta. Estarem com os olhos pregados no telemóvel, sem os tirarem quando alguém está a passar, também não tem razão para acontecer.
A organização:
A Lap2Go esteve francamente mal. Já tinham estado presentes na 1º edição (numa edição que foi uma festa) e uma situação destas pode deitar por terra próximas edições desta prova. Conheço a Lap2Go e já fiz outras provas com eles, e sempre correu tudo bem. Acredito que esta situação será a exceção à regra. Depois das queixas de quase todos os atletas, foi feito um comunicado assumindo os erros e pedindo desculpa a todos os envolvidos.
A Câmara Municipal de Mora:
É de louvar estas iniciativas por parte da CMM. Afinal de contas, é isto que traz pessoas novas a provar o que de melhor se pode fazer no nosso concelho. Se a 1ª edição foi um sucesso, esta 2ª tinha tudo para ser ainda maior. Mas também tenho alguns aspetos negativos a apontar. Começamos logo pela divulgação do evento, que praticamente não existiu. Acho que até eu fiz mais que eles, falando do evento no meu blog e nos vários grupos de corrida que existem pelo Facebook. Se há coisa que aprendi na universidade, foi que podemos ter o melhor projeto do mundo, mas se não o comunicarmos, é como se estivesse fechado dentro de uma gaveta: ninguém o vê. A informação chegou sempre tarde e incompleta. Percurso, altimetria, secretariado, são coisas que precisamos saber com mais do que uma semana antes do dia da prova. Se na 1ª edição a festa na chegada era grande, com música e um speaker a animar as pessoas, desta vez nem um rádio se ouvia. É uma tristeza grande, implicitamente para quem acabou de correr seja que distância for, cruzar a linha da meta e quase nem se aperceber disso. O local de partida/chegada tem todas as condições para que a festa seja feita de outra forma.
Acho que a CMM não tem de ter medo ou vergonha de perguntar a outras organizações ou provas como é que as coisas se fazem. Não custa nada chegar ao pé de alguns atletas e perguntar de que forma as coisas podem ser feitas, tendo em conta a sua experiência noutras provas. Disponibilizo-me, desde já, a ajudar no que puder na próxima edição desta prova que vejo com grande carinho.
O Prémio Finisher:
Nem tudo pode ser negativo. Se na 1ª edição ganhámos uma medalha assim-assim, desta vez recebemos um prémio finisher que me deixou muito feliz. Uma peça em barro em forma de bolota e que pode servir de azeitoneira. Sem dúvida nenhuma, uma evolução.
Quanto à minha prova, fiz o que me competia, ou seja, o melhor que consegui. Fiz os primeiros 28kms sempre em modo corrida e num ritmo quase sempre constante. A partir daqui, caminhei em algumas subidas mais acentuadas. Mas posso dizer que corri durante 90% do percurso. Fiz os 35,6kms em 3h46’43”, que me valeu o 16º lugar em 30 atletas. O normal, portanto, meio da tabela.
Esperemos que todas estas falhas sejam corrigidas e que o 3º Trail Fluviário de Mora seja um enorme sucesso!
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