1º Trail São Silvestre da Serra da Estrela - EMdurance Runner
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1º Trail São Silvestre da Serra da Estrela

Foi no dia 27 de Dezembro a primeira edição do Trail São Silvestre da Serra da Estrela.
Imagino que já estejam a pensar que nem sequer ouviram falar de tal prova, mas não se preocupem, a prova foi muito privada. Tão privada que eu era mesmo o único participante. Escusado será dizer que a ganhei!
Eu até tinha feito a inscrição para a São Silvestre de Lisboa, mas, entretanto, surgiu a oportunidade de ir passar um fim de semana perto da Serra da Estrela e lá fui eu. Mas como isto de ser”corredor” é uma coisa que não nos larga, falando por mim, há sempre aquele bichinho de correr num sitio novo, mesmo que seja apenas um treino curto, só mesmo para “picar o ponto” e ter o registo. Assim, aproveitando um percurso já existente (que liga Alvoco da Serra à Torre), levei o equipamento comigo e fiz-me à estrada… perdão!, aos trilhos.
O caminho era para ali.
Tinha prometido uma foto ao João Campos com neve na barba, mas à falta de neve, vai mesmo gelo na cabeça!
O percurso é de cerca de 6kms, com um desnível positivo de cerca de 1200m. É quase escalada, mas sem cordas e a tentar correr. Como se subisse desde Alvoco até à Torre ficava sem carro para descer, decidi que começaria na Torre, desceria o percurso cerca de 2 ou 3kms e depois voltaria de novo para a Torre. Assim fiz. Às 16:15, sob um vento gelado, arranquei em direção ao sol. Não havendo neve, o percurso era visivel e não precisava de me preocupar muito com escorregadelas, no entanto, tinha que ter cuidado onde punha os pés, pois o terreno é bastante irregular. As primeiras centenas de metros eram quase planas, até que cheguei à primeira encosta e me deparei com um cenário que é dificil de explicar por palavras.
Paisagens de cortar a respiração!
Enquanto descia, era dificil não parar para tirar fotografias, não só à planicie, mas também a mim. Senti um prazer enorme em estar ali naquele momento, sozinho, a usufruir da Serra só para mim. Os meus pulmões enchiam-se de ar verdadeiramente puro a cada inspiração e a alma enchia-se de felicidade a cada piscar de olhos. Poucos são os momentos em que podemos estar realmente sós, este foi um deles.
Eu, na minha loucura dos selfies!
Pequena adenda sobre aquele coração: no dia 23 de Dezembro, quando cheguei ao estacionamento do trabalho, vi este coração abandonado. No dia 26, quando voltei a trabalhar, continuava no mesmo sitio. Decidi adotá-lo e é agora a minha mascote, que levarei para onde quer que eu vá. Nenhum coração merece estar sozinho!
O trilho estava bem marcado, quase não precisava de olhar para o gps, mas fazia-o, até porque como comecei ao contrário, em alguns casos a marcação nas pedras não estava visivel. Mas quem viesse a subir, não teria problemas de orientação. Desci por entre rochas e ervas, umas vezes a correr, outras a saltar ou mesmo a deslizar. Quando cheguei a cerca de 2,5kms, decidi voltar para cima. Por dois motivos: tinha demorado 40minutos a descer (não tivesses tirado tanta foto!), e sabia que a subir seria mais dificil e o sol não tardaria a pôr-se.
Foto 1: a descer. Foto 2: a marcação do caminho. Foto 3: a subir.
Quem já foi à Serra da Estrela sbe que na subida para a Torre, através da estrada se passa por uma pedra em forma de cabeça de um velho, mas ficam a saber que durante o meu trilho encontrei uma pedra que é a “Cabeça do Sócrates”!
Tal como previsto, subir foi feito quase sempre a andar. O ar escasso em oxigénio devido à altitude, não deixava os meus pulmões trabalhar como eu precisava. A juntar a isto, levantou-se um vento bastante forte, gelado e cortante, que me estava a deixar um pouco apreensivo. Quanto mais subia, mas o sol descia, mas o nevoeiro perseguia-me. Numa das vezes que me virei para trás, vi um cenário tão belo que a minha razão desapareceu e tive que parar para registar o momento em mais uma foto.
Acho que a foto de baixo mostra bem a beleza da Serra, bem como os seus perigos.
Continuei a minha subida e ao fim de 4,8kms, 1h20′ e 380m de acumulado positivo, estava de novo na Torre. Percebi que tenho que fazer algum treino de reforço muscular, pois os joelhos queixam-se bastante nas descidas e as pernas parece que prendem nas subidas mais ingremes.
Fui duro, muito duro. Parecendo que não, deu para suar. É ou não é um ‘V’ bonito?!
Este treino ensinou-me algumas coisas. A maior de todas é que nunca podemos desrespeitar a montanha. Fui num treino curto, mas cometi alguns erros que, felizmente, não tiveram qualquer consequência. Mesmo sendo curto, deveria ter começado mais cedo, deveria ter levado luz, deveria ter levado a mochila com aquilo que se leva numa prova (água, uma barrita e a manta). Não se sabe o que pode acontecer e nas montanhas não podemos parar e pedir ajuda como fazemos na estrada. Nas montanhas, se formos sozinhos, temos de ser extra cuidadosos. Podia ter caído, podia escurecer rápido demais e ficar sem luz. Aprendi que, seja que distância for, é melhor prevenir do que remediar.
Escusado será dizer que me apaixonei pela Serra, que percebi que o que tem de belo tem de perigoso e que, no dia 1 de Janeiro, me vou inscrever no Estrela Grande Trail (24kms)!
Quero aproveitar para dar um agradecimento especial a uma pessoa que é muito importante para mim. Uma pessoa que há mais de um ano atura estas minhas loucuras de sair de casa para ir correr, seja em provas ou em treinos. Uma pessoa que não fica triste quando me levanto da cama às 6 da manhã e só volto depois de almoço, nos fins de semana! Uma pessoa que não se importou que, no nosso último fim de semana do ano, em passeio, eu tenha calçado os ténis e seguido serra abaixo e acima para um treino que se previa de 40mins e que foi o dobro; que já estava preparada para pedir ajuda aos bombeiros porque não ouvi o primeiro telefonema; que, mesmo a levar com o vento cortante, saiu do carro e filmou a minha chegada à torre, dando-me um beijo e correndo de novo para o carro onde estava um sumo e uma sandes de queijo da serra e presunto à minha espera. A ti, um beijo enorme de obrigado.
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