EDP Meia Maratona de Évora - uma monumental surpresa. - EMdurance Runner
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EDP Meia Maratona de Évora – uma monumental surpresa.

Há aqueles dias em que tudo nos corre mal durante a prova. Ou porque não levamos as meias preferidas, porque começamos a pensar se desligámos o gás antes de sair de casa, porque nos entra uma pedrinha para o sapato, porque aos 2kms já estamos com vontade de ir à casa de banho, etc etc e tal.. Mas depois há aqueles dias em que os astros se alinham todos e a coisa corre bem. Aliás, até melhor do que alguma vez pensado. Foi o que me aconteceu no dia 26 de novembro na EDP Meia Maratona de Évora, uma prova Running Wonders!
A minha mana já me andava a chatear a cabeça há muito tempo que nunca tinha ido correr a Évora. Que ia a todos os sítios menos ali, uma localidade que até é perto da casa dos meus pais. E algures no inicio de novembro desafiou-me a ir fazer a meia maratona de Évora, enquanto ela e outros membros da família iriam fazer a corrida de 10kms. E como quem desafia paga a inscrição, lá lhe disse que sim. A dois dias da prova diz-me que já não vai à corrida porque tem de ir trabalhar, e lá vou eu sem ela mas com o resto da família.
Encarei esta prova como uma oportunidade de fazer melhor que a Meia Maratona de Lisboa 2017, de 15 de outubro. Os treinos estavam mais em dia e começava-me a sentir bem melhor durante os mesmos. Treinei mais por Monsanto do que em estrada, nunca fiz mais de 14kms, mas acreditava que conseguiria um tempo entre 1h50m e 2h. Não seria o meu melhor tempo de sempre, mas estaria mais dentro daquilo que atualmente o corpo me permite fazer.
A casa dos meus pais é em Mora, que fica a cerca de 60kms de Évora, por isso, a saída ficou marcada para as 8h30. Tempo suficiente para chegar, estacionar e ir para a partida na Praça do Giraldo. Despertador para as 7h para ter tempo de comer em condições, acordo às 7h47 nem eu sei como. Pensei logo que estava a começar mal. A estratégia para a prova foi idêntica à da Corrida do Aeroporto 2017: usar equipamento de trail (meias e ténis) e Tailwind como hidratação/nutrição pré e durante prova. Assim, depois do banho o pequeno-almoço foi pão com manteiga e 250ml de preparado de Tailwind. Os restantes 350ml seria para ir bebendo até meio da prova.
Como eu era o único do grupo a participar nos 21kms, despedi-me deles e fui para a zona da partida, porque tanto a meia como a mini (10kms) começavam à mesma hora e no mesmo sitio, sem caixas de tempo ou de prova, e porque me disseram que ao fim de 200/300m as ruas afunilavam e seria complicado correr. Para quem não conhece Évora, esta é uma cidade onde a maioria dos atletas teriam muitas dificuldades em fazê-la porque estrada e passeio é tudo igual: em pedra da calçada!
Arranquei bem e com ritmo mais acelerado porque não gosto de ir a empatar quem vem atrás. Aproveitei as curvas, em que a malta se atropela para cortar 2metros do percurso pelos passeios, para os ultrapassar e ganhar algumas posições. Os primeiros 3kms da prova foram praticamente sempre a descer. Não há muito altimetria, mas corremos pelas ruas da cidade em ziguezague e acabámos por estar sempre a descer. Felizmente não choveu, ou algumas zonas seriam um autêntico deslizar até parar contra uma parede. Aos 3kms, quando já estávamos fora das muralhas, ia com 14′ e a sentir-me bem a todos os níveis. Entrámos numa zona de alcatrão e plana, que me permitiu estabilizar o ritmo entre os 4’30”-4’45”. Aos 5kms estava com 23′ e começo a fazer contas de cabeça: “Ora, a continuar assim faço 46-47′ aos 10kms, depois mais 1hora para os outros 11kms (já a contar com alguma quebra) e consigo acabar ali perto da 1h50′.. TOP!!“. Continuei a impor o ritmo a que ia sem grandes dificuldades e bebericando o que me restava de Tailwind. A passagem aos 10kms deu-se aos 46′ e tudo parecia bater certo com as previsões.
Comecei a pensar que, com jeitinho, conseguia uma tempo abaixo do que queria inicialmente.
Foi então que em determinadas ocasiões sentia que o estava a abrandar o ritmo. Olhava para o relógio e ia a 4’45”. Dava ordem às pernas de acelerarem e elas respondiam de imediato que sim. A partir daqui deixei de olhar para o relógio e ir ao ritmo mais rápido que me fosse confortável. Se rebentasse, rebentava, mas não queria abrandar uma vez que me estava a sentir muito bem, sem qualquer tipo de dores, cansaço físico ou desmotivação mental. Decidi que só iria olhar para o tempo no marco dos 17kms e que queria estar com 1h30′, para conseguir fazer os últimos 4kms em cerca de 20′ e conseguir o objetivo. Como fui sempre a uma boa velocidade, nunca iam muito atletas ao meu lado. O que fiz foi escolher alguém que fosse uma centena de metros à minha frente e usá-lo como lebre para o ultrapassar. Ao fazer isto, quando dei por mim estava a ver a placa dos 17kms a umas dezenas de metros. Quando estava ao lado dela lá olhei para o relógio e por momentos pensei que alguma coisa estava mal, pois indicava 1h19′!
Comecei a pensar que, com jeitinho, conseguia ter um novo recorde pessoal.
O meu melhor tempo da meia maratona era de 1h43′ e alcançado na Meia Maratona de Lisboa 2012. A conseguir manter o ritmo a que ia, ficar muito perto de 1h40′ era possivel. Mas os 3kms finais seriam com algumas subidas, não muito inclinadas, mas longas o suficiente para fazer estragos.  Por uma ou outra vez tive de cerrar o dente e “obrigar” as pernas a darem um pouco mais para conseguir correr sempre abaixo dos 5’/km. O que consegui. Voltei a atravessar as muralhas e entrar na cidade, sabendo que os últimos 400m seria muito duros com uma subida de cerca de 10-15%, em calçada. Olhei para o relógio e percebi que se não quebrasse por nada, conseguia um tempo abaixo de 1h40′. Fui ao mais fundo de mim, gritei mentalmente, baixei a cabeça e acelerei com quantas forças me restavam!
Entrada nos últimos 30m, já com o sabor de novo recorde na boca!
Cortei a meta com 1h39’43”!
Esta é a minha cara de espanto por ter feito novo recorde pessoal!

Novo recorde pessoal, objetivo mais que cumprido e felicidade extrema por sentir que corpo e mente reagiram sempre bem. Se calhar alguma das minhas lesões no cérebro fizeram de mim um gajo que aguenta mais e melhor esforços físicos! É nisto que vou acreditar. 🙂
Quanto à prova, percurso agradável e desafiador, com muita gente a apoiar os atletas, excepto quando estávamos mais afastados da cidade e a percorrer partes de estradas nacionais. Abastecimentos nos sítios indicados e com muito voluntário. Mas, se calhar, dar uma maça inteira num abastecimento não será a melhor ideia! hehe Mais uma vez Tailwind mostrou-se uma muito boa opção, e as meias Mund as melhores amigas dos meus pés!

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